Homem sênior sorrindo ao ar livre em relato sobre descolamento de retina
Minha jornada com o descolamento de retina trouxe desafios, mas também o alívio de viver sem dor.
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Descolamento de Retina: Minha História Depois de 2 Cirurgias

Viver Bem Diário – 02/10/2026
Por Jose Francisco Ferreira Alberto

Meu nome é José Francisco Ferreira Alberto, tenho 62 anos e esta é a história do que aconteceu com o meu olho direito depois de um descolamento de retina, duas cirurgias e um longo período de dor e adaptação.

Antes de contar o que aconteceu em 2022, preciso voltar um pouco no tempo.

Na década de 1990, quando eu tinha pouco mais de 30 anos, fiz uma cirurgia nos olhos para deixar de usar óculos. Naquela época, esse tipo de cirurgia era feito com bisturi e, no meu caso, a decisão foi principalmente por uma questão estética.

Por algum tempo, consegui ficar sem os óculos.

Mas, depois de alguns anos, precisei voltar a usá-los.

Com o passar do tempo, também foi identificada uma lesão na córnea do olho direito, relacionada àquela cirurgia que eu havia feito muitos anos antes.

Eu continuei levando minha vida normalmente e usando meus óculos.

Até que, em 2022, aconteceu algo que eu jamais imaginaria.

A sexta-feira antes do descolamento de retina em 2022

Ilustração anatômica do olho representando os sintomas iniciais do descolamento de retina
A sensação incomum de um cisco nos olhos foi o primeiro sinal do descolamento de retina.

Na sexta-feira que antecedeu a descoberta do problema, fui trabalhar normalmente. Durante o expediente, acabei carregando um pouco de peso e fazendo um trabalho braçal mais pesado do que o habitual. Não sei se isso teve alguma relação direta com o que aconteceu depois e não posso afirmar que foi isso que desencadeou o quadro. Apenas faço questão de contar como foi aquele dia porque fez parte da sequência dos acontecimentos.

Na sexta-feira, voltei para casa no fim da tarde e tudo parecia perfeitamente normal. No sábado de manhã, porém, ao acordar, percebi uma sensação estranha e incomum no meu olho direito. Parecia que tinha alguma coisa presa dentro dele. Um cisco incômodo.

Sabe aquela sensação desconfortável de quando entra uma sujeira no olho e você fica piscando sem parar, tentando descobrir o que está incomodando? Era exatamente assim. Achei que fosse passar com o tempo, mas a sensação não passou e continuou ao longo de todo o final de semana.

A descoberta do descolamento de retina

Depois de dois dias convivendo com aquela sensação persistente, resolvi procurar um pronto-socorro oftalmológico do meu convênio médico. Foi exatamente ali que descobri que não se tratava de um simples incômodo passageiro. Eu estava com descolamento de retina.

Até aquele momento, eu praticamente não sabia nada sobre essa condição de saúde. Uma alteração que tinha começado com a simples sensação de um cisco no olho agora tinha virado um problema grave que poderia comprometer definitivamente a minha visão.

Depois dos exames detalhados e das consultas, ficou decidido pela equipe médica que eu precisaria passar por uma emergencial cirurgia de descolamento de retina. A primeira cirurgia foi realizada em março de 2022, pelo meu plano de saúde. O procedimento ocorreu dentro da normalidade, sem intercorrências no centro cirúrgico, e tive alta no mesmo dia. Eu sabia que teria um período de recuperação pós-cirúrgica pela frente, mas não imaginava o quanto aqueles dias seriam desafiadores.

Como foi a recuperação depois da primeira cirurgia

Uma das orientações médicas mais rigorosas que recebi logo após a cirurgia de descolamento de retina foi permanecer com a cabeça voltada para baixo durante 15 dias consecutivos. E não era durante algumas horas do dia: era o tempo todo, inclusive para dormir.

Essa foi, sem dúvidas, uma das partes mais difíceis da recuperação descolamento de retina. Quando a gente dorme, não consegue controlar completamente a posição do corpo, mas eu precisava tentar ao máximo permanecer naquela posição durante todo o período. Além disso, minha rotina diária passou a girar totalmente em torno da aplicação rigorosa de colírios:

  • Colírio de hora em hora: medicação contínua para evitar complicações e inflamações;
  • Colírio lubrificante: essencial para manter a hidratação e a superfície ocular protegida;
  • Colírio corticoide: indispensável no combate ao inchaço e no alívio do processo inflamatório.

A visão do olho direito não voltou

Mesmo cumprindo o repouso e o tratamento com os colírios, meu olho continuava muito vermelho e irritado. Havia outra coisa que me preocupava cada vez mais a cada dia que passava: eu não enxergava pelo olho direito.

O olho operado simplesmente não recuperou a visão. Naquele momento, eu ainda não sabia como seria a minha vida dali para frente. Só sabia que tinha passado por uma cirurgia de descolamento de retina e precisava continuar acompanhando de perto a situação com os médicos. O tempo passou, mas a visão daquele olho infelizmente não voltou. E a situação ainda ficaria mais complicada nos meses seguintes.

Quando a dor passou a fazer parte da minha rotina

Pouco tempo depois da primeira cirurgia, passei por um período muito difícil por causa de dores intensas e constantes no olho. A dor era extremamente forte e chegou a um ponto em que eu praticamente não conseguia ficar perto de qualquer claridade, desenvolvendo uma forte sensibilidade à luz.

Minha rotina foi ficando cada vez mais limitada e restrita. Eu já não enxergava pelo olho direito e, além disso, precisava conviver diariamente com dores muito fortes e com a enorme dificuldade de permanecer em ambientes iluminados. Foram meses inteiros vivendo daquela maneira desgastante.

Destaque: Quem nunca passou por uma situação assim pode até imaginar que o grande problema é apenas não enxergar de um olho. Mas, quando a dor ocular crônica aparece junta, a situação muda completamente e afeta todo o emocional.

A que catarata apareceu antes da segunda cirurgia

Entre a primeira e a segunda cirurgia, surgiu outro problema inesperado: o desenvolvimento de catarata no meu olho direito. Então, além de tudo o que eu já vinha enfrentando desde o descolamento de retina, surgiu também essa nova complicação.

Eu continuava sem enxergar pelo olho direito e ainda precisava lidar todos os dias com as dores. Foi nesse período que continuei procurando novos médicos e especialistas em busca de uma solução. No entanto, havia uma dificuldade técnica muito importante: por causa da condição frágil da minha córnea, uma nova intervenção cirúrgica era considerada de altíssimo risco. Aquela lesão na córnea identificada anos antes, reflexo da cirurgia estética feita na década de 1990, cobrava o seu preço.

A consulta com o Dr. André e a cirurgia de vitrectomia

Até julho de 2023, eu continuava convivendo diariamente com a falta de visão e com dores insuportáveis. Foi nesse período que fomos apresentados a outro oftalmologista, o Dr. André Maia, que atendia de forma particular. Depois de tantos meses vivendo daquela maneira, eu já estava extremamente exausto. Naquele momento, eu não buscava milagres; queria principalmente encontrar uma forma eficaz de acabar com a dor no olho.

O Dr. André avaliou meu histórico completo e decidiu realizar o procedimento. Em julho de 2023, passei pela minha segunda cirurgia, dessa vez uma vitrectomia. A visão do olho direito não voltou com o procedimento, mas a busca por alívio ainda exigiria mais algumas etapas.

As injeções de óleo de silicone e o controle da pressão

Logo após a vitrectomia, surgiu outro obstáculo no meu tratamento: a pressão intraocular do meu olho direito não aumentava e não se mantinha estável. Por causa disso, o Dr. André precisou iniciar um tratamento com injeções de óleo de silicone no olho.

Foram várias aplicações ao longo de semanas. Para mim, essa etapa também foi muito difícil. As injeções causavam muita dor e um sofrimento enorme. Mesmo depois da segunda cirurgia, precisei enfrentar uma fase muito complicada, com procedimentos constantes e dores intensas, exigindo muita paciência e acompanhamento médico rigoroso.

A visão não voltou, mas a dor finalmente acabou

Depois de todo esse longo processo cirúrgico e de recuperação, a visão do meu olho direito não foi recuperada. Eu continuo sem enxergar por aquele olho até hoje.

A dor finalmente acabou

Depois de tantos meses convivendo com dores fortes e com uma sensibilidade enorme à luz, finalmente consegui voltar a viver sem aquele sofrimento constante. Eu não tinha recuperado a visão perdida, mas tinha conseguido recuperar algo que eu já estava sentindo muita falta: a possibilidade real de viver sem dor.

O colírio que uso todos os dias

Mesmo sem a visão no olho direito e após tudo o que aconteceu, continuo mantendo cuidados diários com a saúde do meu olho. Hoje utilizo o colírio Lacrima Plus, conforme orientação expressa do meu médico oftalmologista.

Esse medicamento proporciona uma sensação imediata de frescor e ajuda na lubrificação ocular diária. Eu aplico uma vez por dia, pela manhã, mas, quando sinto necessidade ao longo da rotina, aplico novamente. É um hábito simples que acabou entrando naturalmente no meu dia a dia.

Se você quiser conhecer o colírio lubrificante que faz parte dos meus cuidados diários, deixo aqui o link direto: Lacrima Plus na Shopee.

No meu caso, o Lacrima Plus foi recomendado pelo médico e faz parte dos cuidados fundamentais que mantenho para proteger a superfície do meu olho até hoje.

Frasco de colírio lubrificante ao lado para cuidados oculares
A rotina diária de hidratação e cuidado com os olhos após o procedimento cirúrgico.

E os óculos?

Depois da cirurgia que fiz na década de 1990 para não precisar mais usar óculos, passei alguns anos sem a necessidade deles. Mas, com o passar do tempo, voltei a usar e continuo usando óculos até hoje.

No meu olho direito, atualmente, a lente do óculos serve apenas para dar peso e equilíbrio à armação, sem qualquer correção de grau. Foi uma mudança e tanto ao longo das décadas. O que começou no passado como um procedimento por uma questão puramente estética acabou fazendo parte da história da minha saúde ocular de uma maneira que eu jamais imaginaria.

Como é minha vida hoje

Hoje faço todas as minhas atividades normalmente. É claro que precisei passar por um processo de adaptação para aprender a enxergar com a visão monocular (apenas com um dos olhos). Algumas situações do dia a dia exigem mais atenção. Precisei aprender a lidar com a percepção de espaço e profundidade de uma maneira diferente, acostumando-me com algumas limitations que antes não existiam.

Mas a gente aprende e se supera. Com o tempo, fui me adaptando completamente. Hoje sigo minha vida normalmente e, principalmente, sem aquelas dores insuportáveis que fizeram parte da minha rotina durante tantos meses.

Aliás, se a gente procurar bem, até situações difíceis acabam trazendo um pequeno lado bom — ou, pelo menos, alguns privilégios inesperados! Como hoje tenho visão monocular, sou reconhecido por lei como PCD (Pessoa com Deficiência). Com isso, ganhei direito à isenção do IPVA e também fico isento do rodízio de carros em São Paulo. Brincadeiras à parte, é um alívio financeiro e prático que ajuda no dia a dia.

A perda de visão no olho direito é uma realidade com a qual aprendi a conviver, mas poder acordar, trabalhar, dirigir, sair e conversar sem dor representa uma vitória enorme para mim.

O que aprendi depois do descolamento de retina

Quando tudo começou, lá no início, eu só achava que tinha alguma coisa ou um cisco dentro do meu olho. Eu jamais imaginaria que aquela sensação aparentemente simples levaria ao diagnóstico de descolamento de retina, a uma cirurgia em março de 2022, a uma segunda cirurgia em julho de 2023, a um procedimento de vitrectomia, a várias injeções de óleo de silicone e a uma mudança tão profunda na minha vida.

Também precisei lidar com a catarata, com o desgaste na córnea e com a perda definitiva da visão do olho direito. Passei por uma recuperação pós-cirúrgica difícil, rotina exaustiva de colírios, meses de dor e muita preocupação familiar.

Mas a minha história não terminou ali. Hoje continuo vivendo normalmente, adaptado a enxergar com apenas um olho e, acima de tudo, livre das dores que marcaram essa fase. Se tem uma lição valiosa que ficou de toda essa experiência, é que a gente aprende a dar um valor imenso às coisas que antes pareciam pequenas. Para mim, poder viver o dia a dia com saúde e sem dor já significa absolutamente tudo.


Fim do artigo sobre descolamento de retina.

Homem sênior sorrindo ao ar livre em relato sobre descolamento de retina

Jose Francisco Ferreira Alberto
Publicitário, Jornalista e Empreendedor

Sou Juliana B F Alberto. Por aqui, compartilho dicas de bem-estar, organização da rotina, receitas fáceis e guias de compras para simplificar a sua vida todos os dias.

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