A gente passa boa parte da vida acreditando que a proteção solar é algo exclusivo para os dias ensolarados de praia e piscina. Crescemos ouvindo que o filtro solar é item de mala de viagem, daqueles potes grandes que a gente joga no fundo da gaveta e esquece lá assim que o calor acaba.
Parece que existe um acordo silencioso na nossa cabeça de que o mormaço, o dia nublado, a rotina de escritório ou a luz que entra pela janela de casa nos tornam completamente invisíveis para a radiação solar. Mas a biologia do nosso corpo não segue o nosso calendário de férias: a pele não tira folga, e os raios ultravioleta não param de atuar só porque o tempo esfriou ou o céu ficou cinzento.
Nesta semana, resolvi abrir o meu coração e escrever este texto não como quem veste um jaleco branco para dar uma lição de moral, mas como uma mulher que precisou parar a rotina agitada e encarar um susto de frente. Na próxima sexta-feira, dia 23, vou entrar numa sala de cirurgia para realizar a retirada de uma lesão na pele localizada nas minhas costas. A médica que me atendeu avaliou a área com cuidado e levantou a forte hipótese de ser um carcinoma basocelular.
Colocar isso em palavras e ver escrito no papel mexe profundamente com a gente. A verdade é que a palavra “câncer” carrega um peso enorme na nossa sociedade. Ela assusta, aperta o peito de imediato e traz um turbilhão de dúvidas e ansiedades para a cabeça. No entanto, conversando com a médica, ouvindo os especialistas e respirando fundo, entendi que a melhor forma de atravessar esse momento é com informação correta, transparência e muito acolhimento.
Faço questão de deixar claro desde já: o resultado final da biópsia ainda vai sair após o procedimento. Assim que o laudo estiver em mãos, prometo voltar aqui no Viver Bem Diário para escrever um novo artigo contando os próximos capítulos dessa jornada para vocês, seja qual for o resultado.
Até lá, ver essa situação bater diretamente à minha porta mudou por completo a forma como enxergo o meu próprio corpo. A gente passa os dias correndo, cuida da casa, dá conta do trabalho, zela pela família e esquece que a nossa pele vai somando e registrando cada minutinho de exposição descuidada ao longo dos anos.
Conteúdo
O dano silencioso e a necessidade da proteção solar no dia a dia
Para e pensa comigo sobre como é a nossa rotina diária no Brasil. Quantas e quantas vezes a gente sai de casa correndo para resolver mil coisas na rua, pega trânsito, trabalha na mesa perto da janela ou caminha alguns blocos sob o sol da tarde sem lembrar sequer de passar um hidratante com fator de proteção solar no rosto? Quem dirá lembrar de aplicar o produto nas costas, na nuca, nos braços ou nas pernas no dia a dia.
A radiação ultravioleta — especialmente os raios do tipo UVA — não quer saber se o dia está bonito ou se há nuvens carregadas no céu. Diferente dos raios UVB, que são mais fortes no verão e causam aquela queimadura vermelha e dolorida que todo mundo conhece, os raios UVA mantêm praticamente a mesma intensidade ao longo do ano inteiro, do nascer ao pôr do sol. Eles têm a capacidade de atravessar o vidro do carro, a janela da sala de estar e as vidraças do escritório, atingindo as camadas mais profundas da nossa pele de maneira totalmente silenciosa e indolor.
Como bem reforçam os dados consolidados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e os alertas recentes da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) divulgados na Agência Brasil, o câncer de pele é, de longe, o tipo de tumor de maior incidência no nosso país. E por que esses números são tão expressivos? Exatamente por causa do chamado dano solar cumulativo combinado com as características individuais de cada pessoa.
Na consulta, a médica me explicou com muita clareza que essa equação tem três pilares principais:
- A radiação solar acumulada: não é apenas aquele sol do fim de semana na praia que conta. O que pesa de verdade é a soma de todos os pequenos momentos de exposição desprotegida acumulados ao longo de décadas. A pele tem uma espécie de “memória celular”, e a conta dessa exposição pode chegar anos mais tarde.
- A genética: o histórico da nossa família e a forma como o nosso organismo reage às agressões externas desempenham um papel decisivo na predisposição do surgimento de lesões na pele.
- A pele clara: pessoas de pele, olhos ou cabelos claros possuem uma quantidade menor de melanina — o pigmento natural que funciona como uma proteção do próprio corpo —, tornando a pele naturalmente mais sensível e vulnerável aos efeitos da radiação ultravioleta.
Entender essa combinação me tirou da posição de culpa e me colocou num lugar de consciência: não se trata de se martirizar pelo passado, mas de entender como o corpo funciona para cuidar melhor dele daqui para frente.

A história daquela verruga antiga que a gente insiste em ignorar
Sabe aquela “verruga” ou manchinha antiga que a gente carrega na pele desde muito jovem e acaba normalizando com o passar do tempo? Eu tenho uma exatamente assim nas costas desde a minha juventude. Naquela época, cheguei a fazer um procedimento para queimá-la, achando que seria uma solução definitiva e que a história terminaria ali.
No entanto, há cerca de dois anos, aquela marca resolveu dar sinal de vida de novo. Ela reapareceu no mesmo local, começou a crescer além do normal e, por estar situada bem numa região de atrito — onde a alça do sutiã ou a costura da roupa pegam o tempo todo —, acabou se machucando e sangrando em vários momentos ao longo desses meses.
Hoje, aos 45 anos, com a maturidade que a vida nos dá, percebo o quanto a gente tende a empurrar com a barriga e negligenciar esses pequenos sinais que o corpo nos envia. A gente vai se acostumando com a presença daquela marquinha, acha que “sempre esteve ali” e vai adiando a visita ao médico por causa da correria diária.
Quando a médica olhou para a lesão na consulta, o sinal de alerta acendeu de imediato. Segundo as diretrizes médicas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) repercutidas pelo Jornal da USP, o carcinoma basocelular é o tipo mais frequente entre as alterações de pele desse gênero.
A notícia que traz alívio e acolhimento para o coração é que o carcinoma basocelular tem um crescimento bastante lento e, na imensa maioria dos casos, não se espalha para outros órgãos do corpo. Como os especialistas reforçam em entrevistas e conteúdos educativos publicados no Portal Drauzio Varella sobre os cuidados com a pele, quando a lesão é identificada no comecinho, o procedimento cirúrgico de retirada simples costuma ser totalmente resolutivo, permitindo que a pessoa siga a vida com absoluta tranquilidade e saúde.
O perigo real não está na gravidade da lesão em si, mas na nossa própria demora em buscar atendimento. Deixar para depois, achar que “não é nada” ou tratar uma lesão persistente como uma simples verruga sem avaliação médica é o único risco verdadeiro que a gente não pode correr.
O desafio de olhar para aquilo que a gente não enxerga no espelho
A experiência pela qual estou passando às vésperas dessa cirurgia me trouxe uma reflexão valiosa sobre o nosso autocuidado diário: como é que a gente cuida daquelas partes do corpo que os nossos próprios olhos não conseguem enxergar no espelho?
Muitas de nós investem tempo e recursos cuidando da pele do rosto. A gente passa protetor facial, usa sérum, aplica hidratante antes de dormir e repara em qualquer linhazinha nova que surge ao redor dos olhos. No entanto, as costas, a nuca, a parte de trás das orelhas, o couro cabeludo e a região posterior das pernas acabam se tornando verdadeiros “pontos cegos” da nossa rotina de saúde.
É justamente por isso que as recomendações da Sociedade Brasileira de Dermatologia e os materiais educativos do Portal Drauzio Varella insistem tanto na importância de realizarmos o autoexame da pele com frequência.
Você não precisa de equipamentos sofisticados ou de formação médica para observar o seu próprio corpo. Criar o hábito de se examinar é simples e pode ser incorporado na rotina de cuidados de forma leve:
- Use espelhos a seu favor: utilize um espelho de mão junto com o espelho do banheiro para inspecionar as costas, a nuca e a parte de trás das coxas de tempos em tempos.
- Peça ajuda a quem mora com você: crie um ambiente de carinho em casa e peça para o seu parceiro, parceira ou familiar dar uma olhada nas suas costas e no couro cabeludo para verificar se há alguma marca diferente.
- Fique atenta aos sinais visuais de alerta:
- Uma verruga ou pinta antiga que mudou de cor, de formato ou começou a crescer rapidamente.
- Uma feridinha teimosa que não sara nunca, cria uma casquinha, parece que vai melhorar, mas volta a abrir e sangra com o atrito da roupa.
- Qualquer nódulo pequeno, brilhante ou mancha áspera que surja sem motivo aparente e não desapareça em poucas semanas.
Como o Dr. Drauzio Varella costuma enfatizar em suas orientações de saúde pública, qualquer ferida na pele que persista por mais de três a quatro semanas sem cicatrizar precisa passar pela avaliação de um médico dermatologista. Não espere sentir dor para agendar uma consulta. O carcinoma basocelular e outras lesões iniciais na pele raramente causam dor, coceira forte ou incômodo físico no começo. A ausência de dor não significa ausência de necessidade de cuidado.
Resumo prático sobre a prevenção e a proteção solar
Para facilitar o entendimento e ajudar a organizar esses cuidados ao longo de todo o ano, preparei um resumo prático dos hábitos essenciais que passei a adotar:
| Situação do Dia a Dia | O que fazer na prática | Por que este cuidado importa |
| Rotina Matinal | Aplicar protetor com FPS 30 ou superior no rosto e áreas expostas. | Cria a barreira inicial necessária contra a proteção solar insuficiente do dia a dia. |
| Ambientes Fechados e Dias Nublados | Manter o uso do filtro solar mesmo dentro de casa ou do escritório. | Os raios UVA atravessam vidros e nuvens com alta intensidade durante o ano todo. |
| Autoexame Mensal | Observar o corpo todo usando espelhos ou pedindo ajuda a familiares. | Identifica verrugas e manchas suspeitas em pontos cegos do corpo antes que cresçam. |
| Consulta com a Médica | Buscar atendimento ao notar feridas ou verrugas que mudam de formato. | Permite a retirada precoce da lesão e garante altas taxas de cura e recuperação plena. |
Guia prático: trazendo a proteção solar para a vida real
Depois de compreender a importância de proteger a pele diariamente, a pergunta que fica é: como transformar essa teoria numa prática viável na nossa rotina corrida sem que isso se torne uma obrigação chata ou pesada?
Garantir a devida proteção solar não precisa ser um ritual complexo. Deve ser enxergado como um gesto diário de respeito e carinho com a nossa história e com o nosso futuro. Para ajudar você a estruturar essa rotina, reuni os passos essenciais recomendados pela dermatologia:
- Adote o filtro solar como um hábito automático: assim como escovar os dentes ao acordar é algo que fazemos sem sequer pensar, a aplicação do protetor solar precisa entrar na sua sequência matinal em qualquer estação. Deixe o frasco do produto ao lado do creme dental ou na pia do banheiro para nunca esquecer.
- Atente-se à quantidade e à reaplicação: aplicar apenas um pinguinho de creme não garante o nível de proteção indicado no rótulo. Aplique uma camada generosa e lembre-se de reaplicar o produto ao longo do dia — especialmente se você trabalha perto de janelas, se movimenta muito na rua ou transpira bastante —, conforme reforçam as diretrizes publicadas pelo Dr. Drauzio Varella no ICL Notícias.
- Não negligencie os “pontos cegos”: ao passar o protetor pela manhã, estenda o cuidado para a nuca, as orelhas, o pescoço, o colo e o dorso das mãos. Se for usar uma roupa que deixe as costas ou ombros à mostra, peça ajuda para aplicar o produto nessas regiões também.
Um convite ao autocuidado e ao afeto consigo mesma
Passar por um procedimento cirúrgico na próxima sexta-feira, dia 23, e encarar a expectativa de um laudo traz um frio na barriga que não vou tentar esconder. Sou humana, sinto medo, ansiedade e incertezas como qualquer pessoa. Mais do que nunca, percebo que deixar aquela marquinha nas costas sem avaliação por tanto tempo foi um risco que a maturidade nos ensina a não correr mais.
No entanto, escolhi olhar para este momento com um profundo sentimento de gratidão por ter parado a tempo de escutar o alerta que a minha pele me deu. Tive a oportunidade de buscar uma médica atenta, fazer os exames necessários e agendar a retirada da lesão com toda a segurança.
Hoje, essa virada de chave já faz parte da minha rotina diária. Por orientação expressa da minha dermatologista, passei a usar um protetor solar de alta proteção para o rosto e corpo todos os dias. Como sei que muitas de vocês me pedem indicações de produtos práticos e acessíveis para manter essa rotina em dia, comprei o meu diretamente na Shopee pela facilidade de entrega. Se você quiser conferir o produto recomendado e garantir o seu para o dia a dia, deixo o link direto do produto na Shopee aqui para quem quiser conhecer. Eu vou usar o 70.

O meu grande propósito ao abrir a minha história com tanta honestidade aqui no Viver Bem Diário é garantir que você não precise passar pelo susto de uma cirurgia para começar a olhar para si com a atenção e o carinho que você merece. Entender a real necessidade da proteção solar diária é o primeiro passo para preservar a sua saúde a longo prazo.
A nossa vida corrida não pode continuar servindo de desculpa para deixarmos a nossa saúde em segundo plano. Cuidar de si é um exercício diário construído nos pequenos detalhes: no ato consciente de passar o protetor solar pela manhã mesmo quando o tempo está cinzento; na coragem de finalmente marcar aquela consulta médica que você vem adiando há meses; ou no gesto afetuoso de pedir para alguém olhar aquela manchinha nas suas costas.
Se este meu relato fizer com que você se olhe no espelho hoje com mais atenção e carinho, todo esse processo já terá valido a pena.
Assim que o resultado da biópsia sair, estarei de volta aqui no Viver Bem Diário para conversar com vocês e compartilhar os próximos passos. Até lá, cuide bem do seu corpo, proteja a sua pele e não adie o seu autocuidado.
Um abraço bem carinhoso,

Juliana B F Alberto
Obrigada pela leitura e cuide-se!
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